Diversas
condições podem causar síndrome demencial, o envelhecimento populacional e a
extensão dos conhecimentos sobre saúde mental adquiridos nas últimas décadas,
mais evidente nos anos 70 do século passado, incrementaram as discussões sobre
esta área do conhecimento. Caracterizada pelo médico alemão Alois
Alzheimer em 1907, a Doença de Alzheimer (DA) é uma das duas causas mais
prevalentes de demência. A DA é uma afecção neurodegenerativa progressiva e
irreversível de aparecimento insidioso, que acarreta perda da memória e
diversos distúrbios cognitivos. Em geral, seu início é tardio, após os 60 ou 65
anos de idade, sendo mais prevalente no grupo de idosos na faixa etária acima
de 80 anos de idade. Apesar, de que em um grupo de pessoas habitantes das Montanhas
do Noroeste Colombiano, essa tem se manifestado precocemente na faixa etária
entre 40 e 50 anos de idade, estando em fase de estudos clínico
epidemiológicos.
Mas o que é mesmo a DA? Como ela afeta as pessoas
e suas famílias? Podemos prevenir? Existe cura? Essas são algumas das perguntas
mais comuns no meio acadêmico e no seio familiar.
Como
já descrito, a DA ou simplesmente Alzheimer é uma doença degenerativa que
acomete os neurônios cerebrais, aqueles presentes na região cinzenta do
cérebro, os quais são responsáveis pelas ligações sinápticas que originam
a memória e o aprendizado. Mas o que acontece no Alzheimer? Por algum mecanismo
desconhecido ainda pelos cientistas, essa ligações entre neurônios que
conformam a informação no cérebro tornam-se inativas ou deixam de ser criadas.
Por isso, no paciente acometido por DA a memória recente. aquela que o
indivíduo adquiri assim que executa algo ou assisti um programa de TV, não é
armazenada, é o chamado 'esquecimento". De outra forma, o indivíduo com DA
começa a manifestar sintomas de lembrança tardia, durante seu dia começa a
rever imagens do tempo de criança ou "mocidade", fala de parentes já
falecidos como se os estivesse vendo e interagindo, canta músicas que lhe
marcaram a vida, e relata situações do passado,..., é nesse momento que muitas
famílias são levadas a procurar assistência de profissionais de saúde, como
médicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, para
estabelecimento e um diagnóstico diferencial e adoção de tratamento.
Nos países desenvolvidos,
a prevalência da doença é aproximadamente 1,5% em torno dos 65 anos até
alcançar patamares de 30%, em média, ao redor dos 80 anos. (RITCHIE; LOVESTONE,
2002). A prevalência média de demência, acima dos 65 anos de
idade, de 2,2% na África, 5,5% na Ásia, 6,4% na América do Norte, 7,1% na
América do Sul (LOPES; BOTTINO, 2002). Nos Estados Unidos, 3% a 11% das pessoas
com 65 anos ou mais são acometidas pela demência e 25% a 47% daquelas com
mais de 85 anos têm demência ( UNITED STATES GENERAL ACCOUNTING OFFICE, 1998).
A
prevalência dos transtornos cognitivos, em especial a demência, nos países em
desenvolvimento é realizada com base nos parâmetros dos países desenvolvidos.
Considerando-se uma prevalência uniforme de 3%, acredita-se que o número de
pessoas com 60 anos ou mais com transtornos cognitivos nos países em desenvolvimento
no ano 2000 seria de 11 milhões e, no Brasil, de 390 mil pessoas.(SCAZUFCA, et
al, 2002).
No Brasil
estima-se que a prevalência de DA seja em torno de 7,1% confirmando achados da
literatura internacional. A Alzheimer ainda é uma doença que não tem causa
específica, sendo o envelhecimento ainda a única fonte de causalidade, porém
alguns autores relatam que o apoio em redes sociais amplas para o idoso, o
convívio familiar e a prática de atividade física regular como exercícios
mentais como leitura, caça-palavras e jogos de memória podem fornecer suporte
ao desaceleramento do processo de demência.
No campo
médico a prescrição de medicamentos antidepressivos tricíclicos, e inibidores
da degradação da acetilcolina que se encontra reduzida nesses pacientes. No
Brasil as drogas liberadas são a
rivastigmina, a donepezila e a galantamina (conhecidas como inibidores da
acetilcolinesterase ou anticolinesterásicos). Outra medicação em uso é a memantina,
ela atua reduzindo um mecanismo específico de toxicidade das células cerebrais,
sendo coadjuvante importante nos estágios moderados a grave, porém sem estudos
científicos suficientes para administração em fases iniciais.
No campo
da Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a manutenção de esquemas terapêuticos
que estimulem a coordenação motora, o equilíbrio, a memória postural e a
cognição, através de exercícios como a musculação, o isopilates, a ludoterapia,
são armas essenciais na manutenção da qualidade de vida desse grupo de pessoas.
A atuação de outros profissionais como enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos,
etc, também são muito importantes e também podem melhorar a qualidade de vida
dos portadores da doença, dado que o grupo de idosos e a própria Doença de
Alzheimer carece sempre de uma abordagem multidimensional e multiprofissional.
Porém, a
estigmatização da doença e a perda de papéis familiares, como reações que
causam sensação de humilhação a esses idosos ainda é uma máxima presente na
sociedade. Nessas circunstâncias a Alzheimer’s Disease International (ADI) identificou
como uma prioridade global uma maior sensibilização da população em geral
e dos profissionais de saúde para a demência, para o apoio às famílias e a
resocialização de pacientes e grupos familiares objetivando melhor manejo da
doença e qualidade de vida.
Mais informações em: www.abraz.org.br
Dr. Gilmar de Oliveira
Barros Silva
Fisioterapeuta
CEO das Clínicas Gilmar
Barros
Especialista em Fisiologia
Humana e Biomecânica - Estácio FIC (CE)
Mestre em Saúde Coletiva
(UNIFOR)
Membro Efetivo da
Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG
REFERÊNCIAS:
1 - LOPES,
M.A., BOTTINO, C. Prevalência de demência em diversas regiões do mundo: Análise
dos estudos epidemiológicos de 1994 a 2000. Arq. Neuro-Psiquiatr, v.60, n.1, p.61-9, 2002
2 - RITCHIE, K.; LOVESTONE, S. The dementias. Lancet, v. 360, n. 9347,
p. 1759-1766, Nov.
2002.
3 - UNITED STATES GENERAL ACCOUNTING OFFICE. Alzheimr's
Disease: Estimates of Prevalence in the United
States.Washington, D.C., 1998 disponível http://www.gao.gov/archive/1998/he98016.pdf
< acesso > em 10 de dezembro de 2014.
4 - SCAZUFCA
M, et al. Investigações sobre demências nos países em desenvolvimento. Rev
Saude Publica. 2002;36(6).

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