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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Alzheimer: por que esquecemos?


Diversas condições podem causar síndrome demencial, o envelhecimento populacional e a extensão dos conhecimentos sobre saúde mental adquiridos nas últimas décadas, mais evidente nos anos 70 do século passado, incrementaram as discussões sobre esta área do conhecimento. Caracterizada pelo  médico alemão Alois Alzheimer em 1907, a Doença de Alzheimer (DA) é uma das duas causas mais prevalentes de demência. A DA é uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível de aparecimento insidioso, que acarreta perda da memória e diversos distúrbios cognitivos. Em geral, seu início é tardio, após os 60 ou 65 anos de idade, sendo mais prevalente no grupo de idosos na faixa etária acima de 80 anos de idade. Apesar, de que em um grupo de pessoas habitantes das Montanhas do Noroeste Colombiano, essa tem se manifestado precocemente na faixa etária entre 40 e 50 anos de idade, estando em fase de estudos clínico epidemiológicos. 
Mas o que é mesmo a DA? Como ela afeta as pessoas e suas famílias? Podemos prevenir? Existe cura? Essas são algumas das perguntas mais comuns no meio acadêmico e no seio familiar. 
Como já descrito, a DA ou simplesmente Alzheimer é uma doença degenerativa que acomete os neurônios cerebrais, aqueles presentes na região cinzenta do cérebro, os quais são responsáveis pelas ligações sinápticas que originam a memória e o aprendizado. Mas o que acontece no Alzheimer? Por algum mecanismo desconhecido ainda pelos cientistas, essa ligações entre neurônios que conformam a informação no cérebro tornam-se inativas ou deixam de ser criadas. Por isso, no paciente acometido por DA a memória recente. aquela que o indivíduo adquiri assim que executa algo ou assisti um programa de TV, não é armazenada, é o chamado 'esquecimento". De outra forma, o indivíduo com DA começa a manifestar sintomas de lembrança tardia, durante seu dia começa a rever imagens do tempo de criança ou "mocidade", fala de parentes já falecidos como se os estivesse vendo e interagindo, canta músicas que lhe marcaram a vida, e relata situações do passado,..., é nesse momento que muitas famílias são levadas a procurar assistência de profissionais de saúde, como médicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, para estabelecimento e um diagnóstico diferencial e adoção de tratamento.
Nos países desenvolvidos, a prevalência da doença é aproximadamente 1,5% em torno dos 65 anos até alcançar patamares de 30%, em média, ao redor dos 80 anos. (RITCHIE; LOVESTONE, 2002). A prevalência média de demência, acima dos 65 anos de idade, de 2,2% na África, 5,5% na Ásia, 6,4% na América do Norte, 7,1% na América do Sul (LOPES; BOTTINO, 2002). Nos Estados Unidos, 3% a 11% das pessoas com 65 anos ou mais são acometidas pela demência e 25% a 47% daquelas com mais de 85 anos têm demência ( UNITED STATES GENERAL ACCOUNTING OFFICE, 1998). 
A prevalência dos transtornos cognitivos, em especial a demência, nos países em desenvolvimento é realizada com base nos parâmetros dos países desenvolvidos. Considerando-se uma prevalência uniforme de 3%, acredita-se que o número de pessoas com 60 anos ou mais com transtornos cognitivos nos países em desenvolvimento no ano 2000 seria de 11 milhões e, no Brasil, de 390 mil pessoas.(SCAZUFCA, et al, 2002).
No Brasil estima-se que a prevalência de DA seja em torno de 7,1% confirmando achados da literatura internacional. A Alzheimer ainda é uma doença que não tem causa específica, sendo o envelhecimento ainda a única fonte de causalidade, porém alguns autores relatam que o apoio em redes sociais amplas para o idoso, o convívio familiar e a prática de atividade física regular como exercícios mentais como leitura, caça-palavras e jogos de memória podem fornecer suporte ao desaceleramento do processo de demência. 
No campo médico a prescrição de medicamentos antidepressivos tricíclicos, e inibidores da degradação da acetilcolina que se encontra reduzida nesses pacientes. No Brasil as drogas liberadas são a rivastigmina, a donepezila e a galantamina (conhecidas como inibidores da acetilcolinesterase ou anticolinesterásicos). Outra medicação em uso é a memantina, ela atua reduzindo um mecanismo específico de toxicidade das células cerebrais, sendo coadjuvante importante nos estágios moderados a grave, porém sem estudos científicos suficientes para administração em fases iniciais. 
No campo da Fisioterapia e Terapia Ocupacional, a manutenção de esquemas terapêuticos que estimulem a coordenação motora, o equilíbrio, a memória postural e a cognição, através de exercícios como a musculação, o isopilates, a ludoterapia, são armas essenciais na manutenção da qualidade de vida desse grupo de pessoas. A atuação de outros profissionais como enfermeiros, fonoaudiólogos, psicólogos, etc, também são muito importantes e também podem melhorar a qualidade de vida dos portadores da doença, dado que o grupo de idosos e a própria Doença de Alzheimer carece sempre de uma abordagem multidimensional e multiprofissional.  
Porém, a estigmatização da doença e a perda de papéis familiares, como reações que causam sensação de humilhação a esses idosos ainda é uma máxima presente na sociedade. Nessas circunstâncias a Alzheimer’s Disease International (ADI) identificou como uma prioridade global uma maior sensibilização da população em geral e dos profissionais de saúde para a demência, para o apoio às famílias e a resocialização de pacientes e grupos familiares objetivando melhor manejo da doença e qualidade de vida. 

Mais informações em: www.abraz.org.br  

Dr. Gilmar de Oliveira Barros Silva
Fisioterapeuta
CEO das Clínicas Gilmar Barros 
Especialista em Fisiologia Humana e Biomecânica - Estácio FIC (CE)
Mestre em Saúde Coletiva (UNIFOR)
Membro Efetivo da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia - SBGG


REFERÊNCIAS:

1 - LOPES, M.A., BOTTINO, C. Prevalência de demência em diversas regiões do mundo: Análise dos estudos epidemiológicos de 1994 a 2000. Arq. Neuro-Psiquiatr, v.60, n.1, p.61-9, 2002 

2 - RITCHIE, K.; LOVESTONE, S. The dementias. Lancet, v. 360, n. 9347, p. 1759-1766, Nov.

2002. 

3 - UNITED STATES GENERAL ACCOUNTING OFFICE.  Alzheimr's Disease:  Estimates of Prevalence in the United States.Washington, D.C., 1998 disponível http://www.gao.gov/archive/1998/he98016.pdf < acesso > em 10 de dezembro de 2014.

4 - SCAZUFCA M, et al. Investigações sobre demências nos países em desenvolvimento. Rev Saude Publica. 2002;36(6). 





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