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terça-feira, 28 de maio de 2013

Gravidez Precoce, Pobreza e Saúde Pública

A muito nos meios acadêmicos se discute sobre GRAVIDEZ PRECOCE e POBREZA. Para alguns especialistas gravidez precoce é sinônimo de gravidez na adolescência ocorrida entre 15 e 19 anos, ou antes pois cada vez mais a iniciação sexual de crianças é mais frequente no mundo seja por violência doméstica ou fatores de risco tais como modismo entre os grupos sociais ou dos meios de comunicação. Diferentes destes, outros especialistas consideram a GRAVIDEZ PRECOCE aquela ocorrida quando não há uma estrutura familiar definida, seja fruto de um "percalço" durante a prática sexual como o que ocorre quando o sexo é feito sem proteção, e/ou os futuros pais não tem situação social e financeira definida como profissão ou colocação em emprego. Porém ambos os grupos de especialistas apontam duas características comuns a ocorrência da GRAVIDEZ PRECOCE, a primeira diz quanto ao baixo nível educacional e cultural, ou seja, pessoas com baixa escolaridade e nível de conhecimento cultural tendem a ser objeto deste problema também considerado de saúde pública; a segunda, diz respeito a pobreza, ou seja, quanto menor o poder aquisitivo de um família, mais exposta esta está suscetível ao nascimento de uma criança não planejada.
Mas por que consideramos este fato demográfico um problema de saúde pública? dizemos que é um problema de saúde pública toda a situação de risco social e de saúde que implica sobre o bem estar da sociedade, no caso da GRAVIDEZ PRECOCE, o nascimento de um filho não planejado impõe geralmente maior carga sobre os serviços de saúde e previdência social dado que aumenta a carga de dependência dos membros da unidade familiar em relação as ações do Estado. Assim, uma criança não planejada filha de pais que não tem sustento próprio, não possuem conhecimento sobre uma dieta apropriada, não detêm conhecimentos básicos de manutenção da saúde, não possuem moradia apropriada, nem formaram um ciclo familiar único em torno da criança a expondo a diferentes espaços familiares; sofre implicações tanto psicológicas como carência de assistência alimentar, ambiental e de saúde. No campo da saúde a incapacidade financeira em ofertar um plano ou seguro de saúde, e a necessidade de uso do Sistema Único de Saúde já extrapolado na relação oferta-demanda implica geralmente na falta de assistência e/ou perda de eficácia e efetividade quando essa é disponibilizada.

Mas a GRAVIDEZ PRECOCE pode ocorrer em famílias mais abastadas e com nível educacional mais elevado? Pode sim. Porém esses fatores são ditos de proteção para essa "entidade patológica", pois famílias mais estruturadas economicamente e com melhor nível educacional encontram-se geralmente mais estruturadas desde que promovem o diálogo interfamiliar, tem objetivos financeiros e de status social bem definidos, além do que, por isso estimulam seus filhos a prática do sexo seguro entre outras coisas. Contudo a falta do diálogo quando acontece é fundamental para que estas venham a serem, digamos, pegas de surpresa.    

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Breve reflexão epistemológica sobre Fisioterapia e Ciência

Alguns colegas fisioterapeutas têm nos últimos anos imprimido discussões sobre se a Fisioterapia pode e deve ser considerada uma ciência, partindo de afirmações abstratas e mercadológicas tipo "Fisioterapia é ciência!", porém muitos desses não encontram em si nenhum embasamento teórico-metodológico sobre o que é a Fisioterapia ou mesmo ou que seja ciência. Esse artigo busca esclarecer aos profissionais de saúde, principalmente àqueles denominados Fisioterapeutas, sobre o significado epistemológico da Ciência e da Fisioterapia. Para tanto fizemos busca em extensiva literatura disponível nas bases de dados da Scielo e Pubmed.
Epistemologia é o ramo da filosofia que se ocupa do conhecimento humano, pelo que também é designada de “teoria do conhecimento"Ciência (do latim scientia é traduzida como conhecimento) refere a qualquer conhecimento ou prática sistemática desenvolvida pelo homem em um campo delimitado de estudo. Portanto carece de método próprio de investigação denominado método científico, que busca o entendimento das verdades existentes no universo, percebidas pelo homem no seu percurso de vida, não obstante estável, mas dinâmica, pois as verdades da ciência evoluem com a produção da própria ciência e de como esta é percebida pelo homem.
Quanto à natureza da ciência esta pode ser respondida a partir de diferentes pontos de vista. A pergunta “O que é ciência?” pode ser pode receber conotação empírica (o que tem sido historicamente a ciência?),  conotação normativa (o que deveria ser a ciência?), conotação do tipo analítico ( o que poderia vir a ser a ciência?)
Não obstante a isso, a Fisioterapia é definida pelo Conselho Federal de Fisioterapia como ciência do Universo da Saúde que estuda, previne e trata os distúrbios cinéticos funcionais intercorrentes em órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por traumas e por doenças adquiridas. Fundamenta suas ações em mecanismos terapêuticos próprios, sistematizados pelos estudos da Biologia, das ciências morfológicas, das ciências fisiológicas, das patologias, da bioquímica, da biofísica, da biomecânica, da cinesia (movimento), da sinergia funcional, e da patologia de órgãos e sistemas do corpo humano e as disciplinas comportamentais e sociais. Pelo exposto podemos afirmar que Fisioterapia é ciência, mesmo que a grande maioria dos profissionais desta ainda não produzam estatísticas confiáveis e desenvolvam estudos confiáveis, ainda estando a mesma assolada no “desconhecimento” proposital e irresponsável de muitos que vendem tratamentos mágicos e nada eficazes, enquanto uma minoria dividida em diversos países luta incansavelmente para a construção desta ciência produzindo uma nova realidade baseada em evidências.