
Todos os dias no consultório nos deparamos com pacientes que perguntam: doutor o senhor recomenda infiltração com corticóides para minha dor lombar? Bem como todos sabem, sou um curioso insaciável, um eterno estudante. Costumo adentrar diariamente nas mais importantes plataformas científicas de medicina e fisioterapia para ofertar o que há de mais avanço em tratamento para os desafios os quais me deparo no cuidado à pessoa humana. Uma delas é a PeDro a mais completa base de dados em Fisioterapia com mais de 46 mil estudos clínicos, revisões sistemáticas e Guideline (guia de recomendações clínicas). Pois bem, segundo a literatura ciêntifica 85% das dores lombares são inespecíficas, ou sejam, em cada 10 pacientes, em 8 deles as causas mecânicas como peso, má postura e hérnias de disco ou artrose da coluna não resultam em dor. Verificando o Guideline da PeDro buscamos verificar as recomendações propostas para o tratamento da dor lombar aguda e subaguda. Primeira mente nos perguntamos sobre o uso de infiltrações, pergunta mais que frequente em nosso consultório e muito proposta pelos colegas médicos. Daí encontramos dois documentos.
O primeiro, um Relatório de Avaliação de Tecnologia da Agência de Pesquisa e Qualidade em Saúde (EUA) realizado entre janeiro de 2008 a outubro de 2014 que utilizou os bancos de dados MEDLINE, Scopus e Cochrane Libraries, lista de referências e ensaios clínicos, sobre a efetividade de infiltrações peridurais, infiltrações nas articulações facetárias e infiltrações na articulações sacroilícas realizadas com corticosteroide, apresentou os seguintes dados: para injecções epidurais com corticóides versus tratamento inócuo para ciáticas os únicos efeitos estatisticamente relevante foram sobre a melhora média da dor no seguimento imediato e na função com uma moderada força de evidência e risco baixo de cirurgia a curto prazo ( >= 2 semanas); porém para a magnitude dos efeitos na dor e na função a longo prazo foram pequenas e minimamente relevantes a longo prazo (>=1 ano) sem efeito no risco a realização de cirurgia. E evidências limitadas não sugerem que corticosteroides não são eficazes para estenose espinhal ou dor nas costas não-radicular (não-ciáticas). E sem evidências para avaliar as injecções na sacroilaca.
O segundo, uma Revisão Sistemática e Meta-Análise disponível na Pain Physician Journal realizado em 2015 e publicado em 2016 sobre o uso de Infiltrações Epidurais na Radiculopatia Lombar e Estenose Espinhal concluiu que o uso de infiltrações de corticosteróides com cloreto de sódio e bivacaina foram ineficazes, é que o uso de lidocaína isolada comparada ao uso desta associada a corticosteróides demonstrou efectividade significativa.
Do que, a recomendação do Guidaline para tratamento da Dir Lombar Aguda e Subaguda o uso de corticosteroide pode ser considerado como tratamento auxiliar até mesmo com componente radicular, é que neste último caso, devemos encorajar o uso isolado da lidocaína dado o efeito similar ao uso desta conjuntamente com o corticosteroide. Lembrando que de acordo com o Guideline os pacientes devem receber educação adequada sobre as expectativas do tratamento e a recuperação da dor lombar aguda e subaguda, ser submetido ao uso de calor superficial e relaxantes musculares nos casos agudos com resultados imediatos porém ineficazes no momentos tardios, respeitando os limites dos sintomas os pacientes devem manter suas atividades e atividades de vida diária, que manipulações vertebrais devem ser consideradas como intervenção precoce. A avaliação biopsicosocial, uso de gelo, acetominofeno ( paracetamol) e opióides devem ser desconsiderados, ou seja, não recomendados. Quanto a Acupunctura a escassez de um modelo terapêutico padronizado, estudos científicos com alto rigor metodológico em grandes populações ainda demonstram baixa evidência e por isso baixa recomendação no Guideline. O que para nós sugere um fronte para maiores estudos, sendo ainda um desafio adequar a Acupunctura ao modelo da ciência ocidental. Do que continuaremos a utilizá-la isolada e associada a outros procedimentos realizando estudos comparativos, através de uso de questionários e escalas de dor, testados e validados para podermos produzir ciência e maior bem estar aos nossos pacientes.
Referências:
Nenhum comentário:
Postar um comentário