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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

ATO MÉDICO: UMA AMEÇA A CIDADANIA


Caríssimos leitores, talvez você se pergunte como alguém que formou e jurou para cuidar de pessoas possa ser uma ameaça. Apesar do título acima trazer a sua mente a imagem de um médico que queira fazer-lhe o mau ou a alguém de sua família, ou mesmo por inprudência como foi demonstrado na reportagem do Fantástico - Revista Eletrônica da Rede Globo - sobre a prescrição de medicamentos inapropriadamente com misturas de produtos farmacêuticos não muito seguros. Mas apesar disto ser também um problema sério de saúde pública e coletiva, o título a que nos referimos traz uma ameça bem maior à saude e de sua família. 
O Projeto de Lei do Ato Médico é uma estratégia corporativista das entidades médicas (Conselhos Federais e Estaduais de Medicina, Associações Médicas e Sociedades de Médicos) que entre outras coisas solicita o direito exclusivo de se elaborar o diagnóstico da doenças dos pacientes como também a prescrição do tratamento destes. No Congresso Nacional tramita através de dois instrumentos o Projeto de Lei 268/2002 que foi aprovado parcialmente no Senado e o substutivo que tramita na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 7.703/2006.
Ora meus amigos, imagine que todo o desenvolvimento científico e terapêutico alcançado no mundo em diversas áreas como biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisoterapia, fonoaudiologia, nutrição, psicologia, terapia ocupacional, entre outras, passem a ser de posse de só uma classe profissional. Imagine ainda que esses poucos profissionais médicos existentes, cobrariam valores bem altos e muitas vezes inacessíveis a maioria da população brasileira por seus serviços; e muito pior, eles que também incorrem em possíveis erros eventualmente, por não possuírem conhecimento adequado sobre as demais ciências e profissões da saúde podem em muito piorar a saúde e por em risco a saúde de milhões de brasileiros como hoje o fazem alguns profissionais e são manchete de jornais e revista na imprensa por todo o país. 
A imprudência, ou seja, o ato de realizar diagnóstico e adminstrar terapia a qual não se está plenamente seguro e apto podendo incorrer em dano ao paciente são situações frequentes nas diversas profissões de saúde, todos os dias algum profissional erra, seja pelo número exacerbado de consultas que realiza diariamente, seja por não conhecimento de causa, o pela extenuante jornada de trabalho que pratica para manter um padrão mínimo de vida frente a salários cada vez mais insuficientes. Porém, a muldisciplinaridade, ou seja, a interação harmônica e democrática das diversas profissões e o intercâmbio de conhecimento entres as mesmas torna-se então o maior aliado de profissionais e pacientes no combate ao erro, e assim, maior segurança e eficácia das terapêuticas ministradas. 
Outro aspecto da muldisciplinaridade é a integralidade, ou seja, o cuidado integral do indivíduo com ser duo - corpo e psique - como também o direito a assistência nos diversos níveis de complexidade de saúde e de terapias. Além do que, a multidisciplinaridade também nos permite dois aspectos importantes da saúde. O primeiro, a melhoria do acesso, ou seja, um maior número de profissionais com diferentes capacidades capazes de indentificar as diversas formas de doenças e as diferentes abordagens de tratamento,  e por isso a um custo social bem mais proveitoso para o Estado Brasileiro e ao cidadãos, desde que promove a redução de danos à saúde e o estabelcimento de incapacidades físicas e mentais, muito onerosas paras as famílias, para a previdência social e para a economia do país. O segundo aspecto é a universalidade, ou seja, a capacidade do Governo do Brasil ofertar saúde a todos os brasileiros, sem distinção de raça, cor, credo ou condição social, sendo que esta ainda paira sobre um princípio importante a equidade, ou seja, garantir a inclusão dos brasileiros menos favorecidos eonômica e socialmente no sistema de saúde.
O leitor mais atento e com conhecimento em saúde pública, já deve ter percebido que de uma forma suscinta descremos os princípios de funcionamento e ação do Sistema Único de Saúde. O SUS definido como política de saúde do Estado Brasileiro torna-se inviável diante de tamnha afronta a cidadania desde que possui como princípios ideológicos e doutrinários a universalidade, a integralidade e a equidade, baseado ainda em pricípios organizacionais de descentralização das ações de saúde, hierarquização de procedimentos e acções de saúde da atenção básica a alta comlexidade como neurocirúrgias e até transplantes de órgãos, a regionalização para empoderamento em promoção da saúde de populações com perfil sociodemográfico em um mesmo delimitante geográfico, e o controle social com a participação ativa das comunidades através dos Conselhos Municipais de Saúde
Dizer NÃO AO ATO MÉDICO, em todas as suas instâncias deve ser hoje uma luta não só de profissionais não médicos, mas de todos os cidadãos brasileiros. Dizer NÃO AO ATO MÉDICO É DIZER SIM VIDA DE 200 MILHÕES DE BRASILEIROS. É acima de tudo respeitar a Constituição da República Federativa do Brasil e ao estado de direito. Haja vista que o SUS é a maior expressão do socialismo democrático desta nação, ou seja, é a forma mais transparente de política de um estado no mundo em relação à saúde de seus cidadãos. Galgado e construído nas trincheiras das universidades do Brasil e nas comunidades eclesiais de base da Igreja Católica durante o Regime do Golpe Militar não pode ser deixado a mercê de políticos e profissionais excusos, deve sim ser defendido por todos os brasileiros, mesmo que ainda longe da perfeição e frente a muitos desafios oriundos da corrupção e do má emprego do dinheiro público, ainda é nosso maior  instrumento de cuidados social  com a saúde para esta geração e as que deverão vir. 
Assim, caríssimos leitores conclamo a todos em defesa da sáude e da cidadania. Saúde é muito mais que o bem estar de uma classe profissional incomodada com o avanço de suas pares. Saúde é vida, responsabilidade que transcente a questão capitalista cruel.
Neste artigo não falamos dos bons, dedicados e competentes médicos mas de uma parcela insegura e corporativista que ver no mercado de capitais brutesco uma realização da classe médica. Àqueles médicos defensores da saúde coletiva universal, integral, equânime e resolutiva os meus mais sinceros sentimentos de consideração e respeito, pois sem eles muitas conquistas de hoje também não teriam sido possíveis. 


Saiba mais em:http://www.atomediconao.com.br/


Dr. Gilmar de Oliveira Barros Silva
Fisioterapeuta Osteopata - CO/EBOM
Especialista em Fisiologia Humana e Biomecânica - FIC/ESTÁCIO
Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços de Saúde - UEPA
Mestre em Saúde Coletiva - UNIFOR

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O RISCO DE QUEDAS EM IDOSOS


Nas últimas décadas o Brasil experimentou um dos mais importantes fenômenos populacionais da humanidade, o envelhecimento, ou seja, o aumento da participação do número de indivíduos com 60 anos ou mais* na composição geral da população. 
No entanto, o envelhecimento além de ser uma aspiração de toda sociedade deve também ser um processo que garanta melhores condições de saúde e redes sociais de apoio ao idosos, dado que nesta fase da vida esses indivíduos estão mais propensos a um maior número de doenças e riscos à saúde, como é o caso das quedas.
Quedas são definidas como sendo um evento não intencional que tem como resultado a mudança brusca de posição de um indivíduo para um nível mais abaixo em relação a sua postura inicial.**. Em idosos as quedas merceem destaque e configuram um problema de saúde coletivo à medida que a alta frequência deste evento causa altos índices de morbidade (adoecimento) e mortalidade neste grupo populacional resultando também em altos custos sociais e econômicos, e serem passíveis de prevenção. 
De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil cerca de 30% dos idosos sofrem quedas anualmente***. Sabe-se porém, que este evento leva ao aumento de dependêcia funcional e da mortalidade em aproximadamente 50%, em um ano****. E por isso de grande importância para os profissionais de saúde, e em especial aos profissionais fisioterapeutas.
As causas de quedas em idosos é multifatorial, ou seja, são resultado de condições de saúde do próprio indivíduo e das condições do meio ambiente em que vivem, sendo que a maior parte das quedas entre idosos ocorrem durante a realização das atividades de vida diárias (AVDs). E por isso, talvez, mais de 70% das quedas ocorrerem em casa, e o risco torna-se aumentado quando o idoso mora só.
Ser do sexo feminino, idade avançada, possuir maior número de doenças pré-existentes, ter diagnosticado osteoporose, o uso 3 ou mais medicamentos concomitante - polifarmácia (especialmente aqueles que agem Sistema Nervoso Central - antidepressivos e antipsicóticos) são fatores de risco com forte associação ao risco de quedas. A redução na força de preenção palmar e autopercepção ruim ou péssima da acuidade visual também são importantes preditores de queda. A tontura uma queixa muito comum na população idosa devido ao descréscimo funcional do sistema vestibular é uma queixa muito comum entre os idosos caiodores. Outro condição importante que aumenta o risco de queda é a dor, principalmente a de origem musculoesquelética, dado que esta pode desencadear mudanças e adaptaçõoes posturais, claudicações e dificuldade de equilíbrio. Também a institucionalização e a restrição ao leito aumentam consideravelmente a ocorrência de morte devido a quedas. O uso de tecnologias assistidas, como bengalas e andadores, mesmo objetivando possibilitar a promoção da independência funcional e a facilitar a realização de atividades de vida diária, quando mal presscritas ou adaptadas podem ter efeito contrário, e passarem então de fator protetor da saúde para uma situação de risco.
Portanto, medidas preventivas para a ocorrência de quedas que busquem a identificação precoce dos fatores de risco em populações específicas, ou seja, com graus diferentes de dependência funcional, o estímulo ao envelhecimento saudável através da proposição de hábitos alimentares menos agressivos ao corpo e atividade física contínua, a adaptação do ambiente as condições próprias do indivíduo e a avaliação do estado mental periódica do idoso devem ser implementadas.
Assim, neste cenário o profisional Fisioterapeuta pode ser um instrumento de grande valia na administração de estratégias promotoras e de prevenção da saúde quanto ao risco de quedas no grupo de idosos objetivando por fim a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida nesse grupo populacional. Para maiores informações e avaliação do risco de quedas procure um fisioterapeuta. Na Clínica estamos equipados com instrumentos específicos para essa avaliação, prevenção e tratamento.

Dr. Gilmar de Oliveira Barros Silva
Fisioterapeuta
Especialista em Fisiologia Humana e Biomecânica
Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços
Mestre em Saúde Coletiva

*          em países desenvolvidos como Estados Unidos e Europa a idade limítrofe para o idoso é 65 anos dado as melhores condiçoes de vida da população.
**        MOURA, et. al. Quedas em idosos: fatores de risco associados. Gerontologia. 1999. v. 7 n.2. p.15-21
***       MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. envelhecimento e saúde da pessoa idosa. DF. 2006.
****     BARBOSA, M.L.J.; NASCIMENTO, E.F.A. Incidência de internações de idosos por motivo de queda em  hospital geral em Taubaté-SP. Rev. Biociências.  2001. v.7. n.1. p.37-42