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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

O RISCO DE QUEDAS EM IDOSOS


Nas últimas décadas o Brasil experimentou um dos mais importantes fenômenos populacionais da humanidade, o envelhecimento, ou seja, o aumento da participação do número de indivíduos com 60 anos ou mais* na composição geral da população. 
No entanto, o envelhecimento além de ser uma aspiração de toda sociedade deve também ser um processo que garanta melhores condições de saúde e redes sociais de apoio ao idosos, dado que nesta fase da vida esses indivíduos estão mais propensos a um maior número de doenças e riscos à saúde, como é o caso das quedas.
Quedas são definidas como sendo um evento não intencional que tem como resultado a mudança brusca de posição de um indivíduo para um nível mais abaixo em relação a sua postura inicial.**. Em idosos as quedas merceem destaque e configuram um problema de saúde coletivo à medida que a alta frequência deste evento causa altos índices de morbidade (adoecimento) e mortalidade neste grupo populacional resultando também em altos custos sociais e econômicos, e serem passíveis de prevenção. 
De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil cerca de 30% dos idosos sofrem quedas anualmente***. Sabe-se porém, que este evento leva ao aumento de dependêcia funcional e da mortalidade em aproximadamente 50%, em um ano****. E por isso de grande importância para os profissionais de saúde, e em especial aos profissionais fisioterapeutas.
As causas de quedas em idosos é multifatorial, ou seja, são resultado de condições de saúde do próprio indivíduo e das condições do meio ambiente em que vivem, sendo que a maior parte das quedas entre idosos ocorrem durante a realização das atividades de vida diárias (AVDs). E por isso, talvez, mais de 70% das quedas ocorrerem em casa, e o risco torna-se aumentado quando o idoso mora só.
Ser do sexo feminino, idade avançada, possuir maior número de doenças pré-existentes, ter diagnosticado osteoporose, o uso 3 ou mais medicamentos concomitante - polifarmácia (especialmente aqueles que agem Sistema Nervoso Central - antidepressivos e antipsicóticos) são fatores de risco com forte associação ao risco de quedas. A redução na força de preenção palmar e autopercepção ruim ou péssima da acuidade visual também são importantes preditores de queda. A tontura uma queixa muito comum na população idosa devido ao descréscimo funcional do sistema vestibular é uma queixa muito comum entre os idosos caiodores. Outro condição importante que aumenta o risco de queda é a dor, principalmente a de origem musculoesquelética, dado que esta pode desencadear mudanças e adaptaçõoes posturais, claudicações e dificuldade de equilíbrio. Também a institucionalização e a restrição ao leito aumentam consideravelmente a ocorrência de morte devido a quedas. O uso de tecnologias assistidas, como bengalas e andadores, mesmo objetivando possibilitar a promoção da independência funcional e a facilitar a realização de atividades de vida diária, quando mal presscritas ou adaptadas podem ter efeito contrário, e passarem então de fator protetor da saúde para uma situação de risco.
Portanto, medidas preventivas para a ocorrência de quedas que busquem a identificação precoce dos fatores de risco em populações específicas, ou seja, com graus diferentes de dependência funcional, o estímulo ao envelhecimento saudável através da proposição de hábitos alimentares menos agressivos ao corpo e atividade física contínua, a adaptação do ambiente as condições próprias do indivíduo e a avaliação do estado mental periódica do idoso devem ser implementadas.
Assim, neste cenário o profisional Fisioterapeuta pode ser um instrumento de grande valia na administração de estratégias promotoras e de prevenção da saúde quanto ao risco de quedas no grupo de idosos objetivando por fim a melhoria das condições de saúde e qualidade de vida nesse grupo populacional. Para maiores informações e avaliação do risco de quedas procure um fisioterapeuta. Na Clínica estamos equipados com instrumentos específicos para essa avaliação, prevenção e tratamento.

Dr. Gilmar de Oliveira Barros Silva
Fisioterapeuta
Especialista em Fisiologia Humana e Biomecânica
Especialista em Gestão de Sistemas e Serviços
Mestre em Saúde Coletiva

*          em países desenvolvidos como Estados Unidos e Europa a idade limítrofe para o idoso é 65 anos dado as melhores condiçoes de vida da população.
**        MOURA, et. al. Quedas em idosos: fatores de risco associados. Gerontologia. 1999. v. 7 n.2. p.15-21
***       MINISTÉRIO DA SAÚDE. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. envelhecimento e saúde da pessoa idosa. DF. 2006.
****     BARBOSA, M.L.J.; NASCIMENTO, E.F.A. Incidência de internações de idosos por motivo de queda em  hospital geral em Taubaté-SP. Rev. Biociências.  2001. v.7. n.1. p.37-42

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